Propriedades Físico-Químicas do Furoato de Mometasona (19-18-7)
Furoato de Mometasona
Um corticosteroide sintético de alta potência, do tipo éster, utilizado como ingrediente farmacêutico ativo para produtos tópicos, nasais e inalatórios; relevante para desenvolvimento de formulações, controle de qualidade e trabalhos analíticos de referência.
| Número CAS | 19-18-7 |
| Família | Éster esteroide (corticosteroide) |
| Forma Típica | Pó ou sólido cristalino |
| Graus Comuns | BP, EP, JP, USP |
O furoato de mometasona é um corticosteroide sintético pertencente à classe estrutural dos ésteres esteroides (um éster 2-furoato de um núcleo pregna-1,4-dieno-3,20-diona). A estrutura contém um núcleo esteroide tetracíclico com um éster furoato na posição 17, um grupo hidroxila secundário 11β, dois substituintes cloro e múltiplas funcionalidades cetona e metila. Eletronicamente, a molécula combina um esqueleto esteroide largamente apolar com funcionalidades polares localizadas (um doador de ligações de hidrogênio, múltiplos aceitares carbonila e éter), conferindo caráter anfipático concentrado nas regiões do éster e dos grupos hidroxila/cetona.
Fisicoquimicamente, o furoato de mometasona comporta-se como uma molécula pequena neutra e lipofílica com solubilidade aquosa limitada e tendência para se particionar em fases lipídicas e membranas biológicas. O éster furoato aumenta a lipofilicidade e a suscetibilidade à hidrólise mediada por esterases em relação ao ácido/alcohol livre; os substituintes dicloro elevam ainda mais a hidrofobicidade. Sob condições típicas de formulação e fisiológicas, o composto está essencialmente não ionizado (não possui grupos básicos ou ácidos ionizáveis com pKa na faixa fisiológica) e é metabolizado hepaticamente (notadamente pelo citocromo P450 3A4), ao invés de sofrer conversão ácido-base simples.
Farmacêuticamente, o furoato de mometasona é usado como agonista dos receptores dos glucocorticoides tópicos e inalatórios, com alta afinidade aos receptores e baixa biodisponibilidade sistêmica nas vias recomendadas; as formulações incluem inaladores de pó seco, suspensões nasais e pomadas tópicas. Os graus comerciais comuns relatados para esta substância incluem: BP, EP, JP, USP.
Propriedades Físico-Químicas Básicas
Descritores moleculares e calculados indicam um éster esteroide relativamente grande e complexo, com domínios polares e lipofílicos. Principais propriedades computadas reportadas: - Fórmula molecular: \(\ce{C27H30Cl2O6}\) - Massa molecular: 521,4 - Massa exata / monoisotópica: 520,1419441 - XLogP / lipofilicidade calculada: 3,9 (XLogP3); LogP reportado: 4,115 - Área polar superficial topológica (TPSA): 93,8 - Doadores de ligação de hidrogênio: 1 - Aceitadores de ligação de hidrogênio: 6 - Número de ligações rotativas: 5 - Átomos estereocentros definidos: 8 - Complexidade: 1020
Esses parâmetros são consistentes com um corticosteroide moderadamente lipofílico, de baixa solubilidade, que se particiona preferencialmente em matrizes lipídicas e membranas biológicas, mantendo uma superfície polar suficiente para interação com receptores.
Densidade e Forma no Estado Sólido
Não existe valor experimentalmente estabelecido para esta propriedade no contexto atual dos dados.
Informações cristalográficas estão disponíveis (descritores cristalográficos de cristal único e depositados são relatados), indicando que a substância pode formar sólidos cristalinos bem definidos adequados para caracterização analítica. Entradas sinônimas e padrões de referência indicam a existência de designações tanto de anidro quanto de mono-hidrato em listagens de materiais; a forma no estado sólido (polimorfo, estado de hidratação) deve ser confirmada para qualquer lote de produção ou especificação analítica.
Ponto de Fusão
Uma faixa experimental do ponto de fusão é reportada como \(\,215\text{–}228\,^\circ\mathrm{C}\). Essa alta faixa de fusão é típica para estruturas esteroides policíclicas rígidas com extensos contatos intermoleculares na rede cristalina.
Solubilidade e Comportamento de Dissolução
Solubilidade: Insolúvel (reportado).
A combinação do núcleo esteroide, ligação éster e substituintes dicloro gera lipofilicidade substancial (LogP reportado \(\approx 4,115\)), o que explica a insolubilidade prática em água. Para a formulação, a baixa solubilidade aquosa requer técnicas como micronização (para inaladores de pó seco), suspensões (sprays nasais), excipientes solubilizantes ou veículos não aquosos (pomadas tópicas). A hidrólise do éster pode ocorrer in vivo ou sob condições fortemente ácidas/básicas; portanto, perfis de dissolução e liberação podem ser influenciados pela atividade local de esterases e pH da formulação.
Propriedades Químicas
Comportamento Ácido–Base e pKa Qualitativo
Não há valor experimental estabelecido para esta propriedade no contexto atual dos dados.
Qualitativamente, o furoato de mometasona é efetivamente neutro ao longo da faixa usual de pH ambiental e fisiológico. Não possui grupos ionizáveis com valores de pKa na janela aquosa/fisiológica; o único grupo hidroxila é secundário e não é prontamente desprotonado em condições normais. Portanto, a ionização aquosa não dirige a solubilidade nem a permeação membranar; o particionamento é dominado pela lipofilicidade.
Reatividade e Estabilidade
A molécula é um éster furoato esteroidal e apresenta o perfil genérico de reatividade desses compostos: a ligação éster é suscetível à clivagem hidrolítica (hidrólise química sob condições fortemente ácidas ou básicas e hidrólise enzimática por esterases em sistemas biológicos). Funcionalidades cetona e hidroxila são potenciais sítios para oxidação/redução em condições agressivas. Degradação fotoquímica ou oxidativa é possível para cromóforos sensíveis (anel furano e sistema enona conjugado), de modo que a exposição à luz e oxidantes deve ser minimizada durante o armazenamento e processamento.
O metabolismo ocorre primariamente no fígado via citocromo P450 3A4, produzindo metabólitos incluindo mometasona livre e produtos hidroxilados. Ligação elevada à proteína plasmática (reportada entre 98–99% in vitro em concentrações relevantes) reduz concentrações livres sistêmicas, mas também impacta a eliminação e potenciais interações medicamentosas mediadas pelas vias metabólicas.
Parâmetros Moleculares
Massa Molecular e Fórmula
- Fórmula molecular: \(\ce{C27H30Cl2O6}\)
- Massa molecular: 521,4
- Massa exata: 520,1419441
- Massa monoisotópica: 520,1419441
LogP e Características Estruturais
Valores reportados de lipofilicidade: - XLogP3: 3,9 - LogP reportado: 4,115
Contribuintes estruturais à lipofilicidade incluem o núcleo esteroide tetracíclico e os dois substituintes cloro; o éster furoato aumenta ainda mais a hidrofobicidade em relação ao álcool correspondente. As contribuições polares derivam do grupo hidroxila 11β, múltiplas carbonilas e do oxigênio do furano, produzindo uma TPSA de 93,8 que suporta a ligação ao receptor, mas não alta solubilidade aquosa. O único doador de ligação de hidrogênio e seis aceitadores refletem polaridade localizada, e não caráter iônico global.
Identificadores Estruturais (SMILES, InChI)
- SMILES:
C[C@@H]1C[C@H]2[C@@H]3CCC4=CC(=O)C=C[C@@]4([C@]3([C@H](C[C@@]2([C@]1(C(=O)CCl)OC(=O)C5=CC=CO5)C)O)Cl)C - InChI:
InChI=1S/C27H30Cl2O6/c1-15-11-19-18-7-6-16-12-17(30)8-9-24(16,2)26(18,29)21(31)13-25(19,3)27(15,22(32)14-28)35-23(33)20-5-4-10-34-20/h4-5,8-10,12,15,18-19,21,31H,6-7,11,13-14H2,1-3H3/t15-,18+,19+,21+,24+,25+,26+,27+/m1/s1 - InChIKey:
WOFMFGQZHJDGCX-ZULDAHANSA-N
(Identificadores apresentados exatamente como reportados; SMILES e InChI fornecidos como código embutido.)
Identificadores e Sinônimos
Números e Códigos de Registro
- CAS RN: 19-18-7
- Número da Comunidade Europeia (EC): 617-501-0
- UNII: 04201GDN4R
- ID ChEBI: CHEBI:47564
- ID ChEMBL: CHEMBL1161
- ID DrugBank: DB14512
- ID substância DSSTox: DTXSID4023333
- ID KEGG: C07817, D00690
- Número NSC: 746171
- InChIKey: WOFMFGQZHJDGCX-ZULDAHANSA-N
(Apenas códigos e identificadores de registro reportados no contexto técnico são listados.)
Sinônimos e Denominações Não Proprietárias
Sinônimos comuns e nomes genéricos encontrados em listagens de material e análises incluem: furoato de mometasona; mometasona 17-furoato; MOMETASONE FUROATE; furan-2-carboxilato do (11β,16α)-9,21-dicloro-11-hidroxi-16-metil-3,20-dioxopregna-1,4-dieno-17-ilo. Sinônimos do depositante e de referência incluem Asmanex, Elocon, Nasonex e múltiplas designações de formulação/padrão e apelidos de registro. Ao preparar especificações ou adquirir material, consulte a nomenclatura de referência e o padrão do fornecedor para garantir a substância e a forma pretendidas sejam adquiridas.
Aplicações Industriais e Farmacêuticas
Função como Ingrediente Ativo ou Intermediário
O furoato de mometasona é usado principalmente como ingrediente farmacêutico ativo (IFA) em preparações corticosteroides tópicas, intranasais e inalatórias. Atua como agonista do receptor de glucocorticoide com alta afinidade ao receptor, promovendo efeitos anti-inflamatórios, antipruriginosos e vasoconstritores nos locais de aplicação local, minimizando a exposição sistêmica nas formas de dosagem recomendadas. Também está presente como a moiety ativa em terapias combinadas para condições alérgicas do trato respiratório superior.
Contextos de Formulação e Desenvolvimento
Contextos típicos de formulação incluem: - Formulações para inalador de pó seco (IFA micronizado em misturas com veículo ou sistemas de dosagem do dispositivo). - Sprays nasais aquosos ou suspensões (estabilidade da suspensão, distribuição do tamanho das partículas e comportamento de molhabilidade são desafios de formulação dada a baixa solubilidade aquosa). - Pomadas/cremes tópicos onde veículos não aquosos e promotores de penetração controlam a biodisponibilidade local.
Considerações-chave de desenvolvimento incluem controle do tamanho e morfologia das partículas para administração inalatória/nasal, estabilização da forma cristalina para evitar conversão polimórfica, mitigação da hidrólise do éster durante o processo fabril e seleção adequada de excipientes para assegurar uniformidade do conteúdo e entrega da dose. Nenhum resumo conciso da aplicação além desses papéis gerais é fornecido no contexto atual de dados; na prática, a substância é selecionada com base nas propriedades gerais acima descritas.
Especificações e Graus
Tipos Típicos de Grau (Farmacêutico, Analítico, Técnico)
Material para uso farmacêutico é tipicamente fornecido como padrão de referência farmacêutico ou IFA atendendo aos critérios farmacopéicos. Padrões analíticos e de referência são comumente fornecidos para ensaio, perfilagem de impurezas e desenvolvimento de método. Os conceitos típicos de grau incluem: - Grau farmacêutico (IFA) — para uso em produtos medicinais acabados sujeitos a controles regulatórios de fabricação. - Padrão analítico/de referência — para calibração HPLC/ensaio e confirmação de identidade. - Grau técnico/industrial — para pesquisa não clínica ou desenvolvimento fabril.
Designações comerciais relatadas para furoato de mometasona incluem: BP, EP, JP, USP.
Atributos Gerais de Qualidade (Descrição Qualitativa)
Atributos de qualidade de importância incluem: - Identidade (estrutura, estereoquímica e confirmação InChIKey). - Ensaio (potência por métodos cromatográficos validados). - Pureza (controle de impurezas esteroidais relacionadas e solventes residuais). - Forma no estado sólido (status de polimorfo/hidrato e distribuição do tamanho das partículas). - Estabilidade (estabilidade em prateleira sob condições protegidas, sensibilidade à hidrólise e oxidação).
Limites específicos, porcentagens de ensaio ou limiares de impurezas são estabelecidos em monografias farmacopéicas e especificações do fornecedor e não são reproduzidos neste documento.
Resumo de Segurança e Manuseio
Perfil Toxicológico e Considerações de Exposição
- Informações de perigo GHS agregadas a partir de notificações indicam potenciais riscos incluindo toxicidade reprodutiva (indicada como H360 / Repr. 1B na maioria das notificações) e toxicidade para órgãos (classificações STOT‑SE/STOT‑RE relatadas em subconjuntos). Toxicidade crônica aquática também é reportada para uma fração das notificações.
- A ligação in vitro a proteínas é alta (relatada entre 98–99%), o que afeta as concentrações sistêmicas livres e a cinética de eliminação.
- O metabolismo é primariamente hepático (CYP3A4), com potencial para interações metabólicas com inibidores/indutores dessa via enzimática.
- O uso clínico e em formulações como preparações inalatórias ou tópicas é projetado para minimizar a exposição sistêmica; contudo, o manuseio ocupacional do IFA em volume requer controles para evitar exposição inalante e dérmica.
Precauções apropriadas durante o manuseio incluem minimizar a formação de poeira, utilizar ventilação local exaustora ou contenção para operações com pó e vestir equipamentos de proteção individual adequados (luvas, proteção ocular e respiratória onde a exposição a poeira/aerossol possa ocorrer). Para informações detalhadas sobre perigos, transporte e regulamentação, os usuários devem consultar a Ficha de Dados de Segurança (FDS) específica do produto e a legislação local.
Diretrizes para Armazenamento e Manuseio
- Armazenar em recipiente seco, fresco, bem fechado, protegido da luz e de agentes oxidantes para limitar a hidrólise e a degradação oxidativa.
- Evitar condições que favoreçam a absorção de umidade se uma forma anidra for especificada; por outro lado, confirmar o status de hidrato se o material for fornecido como monohidrato.
- Adotar boas práticas de fabricação (BPF) e contenção para pesagem e transferência de quantidades de IFA; controlar descarga eletrostática e risco de explosão de poeira conforme aplicável para pós finos.
- Para informações detalhadas sobre perigos, transporte e regulamentação, os usuários devem consultar a Ficha de Dados de Segurança (FDS) específica do produto e a legislação local.